‘ O Spalla (em italiano, “ombro”) é o nome dado ao primeiro-violino de uma orquestra. Atua como braço esquerdo do Maestro, o ultimo instrumento a entrar no palco e responsável por afinar a orquestra antes da chegada do Maestro. E é o Spalla que passa ao restante da orquestra as determinações do Maestro. ‘

Isso me faz refletir bastante, sobre até que ponto vai nossa capacidade de auto-suficiência, até que ponto uma outra pessoas nos é necessária. No fundo, no fundo, no fundo, acredito sim que assim como maestro cada um de nós precisa de ajuda para reger sua própria orquestra de acontecimentos, conquistas, dilemas, dificeis decisões e maiores dos problemas.
Contudo, por mais fascinante que seja a peça, todas que vi de perto, seja entre amigos entre conhecidos ou entre completos estranhos, desafinou e caiu em desarmonia.
Me pergunto que é então que move essa necessidade de um braço esquerdo frente a uma orquestra, talvez o mistério do primeiro compasso, o climax da peça, ou talvez o desfecho do gran finale. Mas não resisto em me deixar acreditar que o que move isso é uma expectativa, de que no momento em que a nossa caótica orquestra de problemas, caminhos e decisões sair de tom, nosso braço direito vai ser capaz de se levantar e com toda cordialidade, vai afinar a orquestra e trazer de volta toda a harmonia.
Seria então desenvolver uma relação de dependência, onde somos nos mesmos que vamos impor os limites de nossa capacidade?
Até meados do século XIX, era o Spalla e não o Maestro que regia a orquestra, sem a necessidade de um braço esquerdo e com toda a auto-suficiência necessária, utilizando não a batuta do maestro, mas sim o arco de seu próprio violino.
